OPUS

Rendo-me,
como qualquer animal no deserto
que teve as suas patas amputadas
no calor destrutivo do meio dia.

Rendo-me,
e dissipo-me na evaporação das lágrimas,
na deliberada frustração do desejo,
deixo o que não é mais meu
e nunca foi meu,
a voracidade da tua vontade
pela simples pureza selvagem,
sem moral ou convenção ética,
em favor da minha integridade,

Rendo-me,
sem maniqueísmos,
sem cáustica autocomiseração,
à desestruturação dos meus apegos
e entrego-me a esta opus caótica,
a queimar em alquímico incêndio
as minhas pegadas sangrentas.

Sou mais uma das condenadas.

©, 2008, Lua em Refração, Nancy Lix.

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