Eclipse da Alma

Eis aí tudo o que sei,
de tanta lua embriaguei-me que meu fogo partiu.
Para qual mundo fluíram as minhas chamas,
antes lava escorregadia pelos caminhos viscerais,
pergunto à minha alma em eclipse.

Nada sinto.
Nada desejo.
Mas espero sabendo,
o que é meu a mim retornará,
numa volta no tempo
dobrar-se-á sobre si mesmo
e me reencontrará.

Tudo é circular,
as memórias também.
Meu fogo permanece gravado na minha alma,
mesmo agora,
afogado em tantas emoções.

Se for, e se for,
refração de memória apenas.
Não existiria mais faísca.
Eu estaria morta.
E já não estou?
Estou?

A pálida luz embranquece o meu rosto,
ainda assim, a lua reflete o sol,
então eu vivo,
mesmo nas sombras,
ou um reflexo gelado,
sem vida na face.

Engano-me
se sou mais um espectro
na desesperança de retorno.
A morte também é circular,
vim do nada e volto ao nada,
vim da vida e volto à vida,
escuridão e luz,
luz e escuridão
ou um segundo entre imersão e emersão,
ou uma discrepância,
ou uma parada no limbo.


A lua obscureceu no geral.
Penumbra agora.
Vejo um ponto luminoso
na zona contígua ao limite da sombra,
última percepção de brilho fraco,
uma estrela secundária num sistema duplo,
ou uma lágrima cruzando o horizonte.

Espero.
Ainda espero?
O que há para mim que já não veio,
e, se vier, será o mesmo,
tolas esperanças,
chamas que sempre se apagam.
círculo infinito de perdas.


Essa agora sou eu,
mais consciente do que nunca estive,
um segundo entre o preto e o branco.
Minha vida.
O que foi, será.
Nada mais.

Extingue-se o limite da cor,
a orla está azulada,
meus pés estão frios,
minha cabeça vazia.
Preciso de alguém para beijar as minhas mãos.


(©, 2008, Lua em Refração, Nancy Lix)

2 comentários:

Mapa do Sol disse...

Orgulho da filha!!!

Alê disse...

Parabéns pelo trabalho no blog, Nancy! É uma escritora de conteúdo!

 
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